Mercado imobiliário projeta 2026 forte, mas média e alta renda ainda dependem da queda dos juros
Por Antônio Neto•
(Atualizado em 17/07/2026)
O mercado imobiliário brasileiro mantém uma perspectiva positiva para 2026, especialmente no segmento habitacional atendido pelo Minha Casa Minha Vida e pelos recursos do FGTS. A avaliação foi apresentada por representantes da Caixa, da Abecip, da CBIC e da Abramat durante um painel do Construsummit.
A expectativa predominante é de que o crédito imobiliário continue crescendo ao longo do ano. A Caixa projeta ultrapassar R$ 250 bilhões em contratações imobiliárias, após registrar crescimento de 30% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025.
No setor privado, a Abecip estima que o crédito imobiliário total avance aproximadamente 28% em 2026. A projeção considera crescimento de 15% nas operações financiadas pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, o SBPE, e de 35% nas operações apoiadas pelo FGTS.
O principal ponto de sustentação continua sendo o Minha Casa Minha Vida. O programa possui recursos mais previsíveis, atende uma parcela ampla da população e é menos sensível às oscilações das taxas de juros do que o financiamento imobiliário tradicional.
Além disso, a criação de uma faixa voltada à classe média, a utilização de recursos do Fundo Social do pré-sal e a ampliação de programas destinados à reforma de moradias ajudam a fortalecer o segmento habitacional em 2026.
O cenário é diferente para o mercado de média e alta renda. Esse público depende mais do crédito financiado pela poupança e de outras fontes privadas, cujas condições são diretamente afetadas pela Selic e pelo custo de captação dos bancos.
Com juros elevados, as parcelas ficam mais altas, o poder de compra das famílias diminui e alguns compradores adiam a decisão. Construtoras e incorporadoras também enfrentam custos maiores para financiar novos projetos, o que limita uma expansão mais ampla do setor.
Por isso, uma melhora do ambiente fiscal e o início de um ciclo consistente de redução dos juros seriam importantes para destravar o mercado de média e alta renda. Sem essa mudança, o crescimento deverá continuar concentrado nos segmentos sustentados pelo FGTS e pelos programas habitacionais.
Apesar do avanço esperado no crédito, representantes da construção mantêm uma postura mais moderada. A CBIC projeta crescimento próximo de 1% para a construção em 2026 e aponta como desafios os juros elevados, a falta de mão de obra qualificada e as incertezas relacionadas à transição da reforma tributária.
O panorama indica que 2026 pode ser um ano forte, mas com desempenhos diferentes dentro do próprio mercado imobiliário. O segmento popular possui fontes de recursos mais estáveis, enquanto os imóveis de médio e alto padrão continuam aguardando condições econômicas e financeiras mais favoráveis.
Para compradores e investidores, o momento exige análise individual. Entrada disponível, custo efetivo do financiamento, prazo, potencial de valorização e capacidade de pagamento devem ser considerados antes da decisão.